Série Raízes

Os trabalhos desenvolvidos no Raízes buscam adentrar nesse complexo universo presente no campo religioso brasileiro, estudam as “multiplicidades” de fenômenos religiosos que surgem a partir das conexões existentes entre as religiões mediúnicas mas também estão atentos ao processo de descircunscrever o fenômeno religioso, percebendo-o em outros espaços e formas não óbvios, como nos jogos divinatórios, nos diversos processos terapêuticos e mágicos, na música popular brasileira, na  dança, no teatro, etc.

     A Coleção X, sob a coordenação do professor Rafael Haddock-Lobo, que se dedica a refletir sobre a potência filosófica dos cruzamentos, promovendo encontros no âmbito da Filosofia ou da Filosofia com outras áreas do saber, acolhe a série Raízes, possibilitando um encontro entre as muitas Filosofias presentes na coleção e as Ciências das Religiões, que por sua vez é fruto de muitas encruzas, pois se caracteriza como uma área inter, multi e transdisciplinar. O nome da série repete a nomenclatura do Grupo de      Pesquisa que lhe dá origem, existente há 10 anos na Universidade Federal da Paraíba, vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Ciências das Religiões. O grupo dedica-se ao estudo das chamadas “religiões mediúnicas”, com forte ênfase nas religiões afro-brasileiras. Embora o termo tenha seus limites, assim como qualquer categoria que deseje abarcar dentro de si uma diversidade de manifestações religiosas, ainda possui uso na literatura sócio-antropológica quando se quer referir ao conjunto das religiões afro-brasileiras, ao kardecismo e algumas manifestações no âmbito daquilo que vêm sendo denominado como “Novos Movimentos Religiosos” ou “Novas Expressões Religiosas”.

     Duas linhas de pesquisa compõem o grupo atualmente. Uma dedicada as religiões afro-brasileiras e outra dedicada às conexões entre transcendência, saúde e magia. Os trabalhos desenvolvidos no Raízes buscam adentrar nesse complexo universo presente no campo religioso brasileiro, estudam as “multiplicidades” de fenômenos religiosos que surgem a partir das conexões existentes entre as religiões mediúnicas mas também estão atentos ao processo de descircunscrever o fenômeno religioso, percebendo-o em outros espaços e formas não óbvios, como nos jogos divinatórios, nos diversos processos terapêuticos e mágicos, na música popular brasileira, na  dança, no teatro, etc.      Investigam ainda diferentes aspectos que vão desde a questão da história, do simbolismo, da mitologia e dos ritos até a análise de discursos e compreensão das bricolagens, interfaces e cruzamentos que envolvem as “religiões mediúnicas”.

     Um pouco de tudo isso nossos leitores poderão encontrar na série Raízes! Nossa expectativa é acessibilizar pesquisas que muitas das vezes ficam limitadas ao âmbito universitário, não chegando a um grande público. Assim, desejamos a todxs um lindo mergulho pelo sagrado mostrado em suas mais diversas faces.

Dilaine Soares Sampaio

Saravá Exu-Maioral
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Saravá Exu-Maioral
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“Saravá Exu Maioral: migração iconográfica e mentalidade”, é resultado de uma pesquisa realizada no Ilê Asé Xangô Ogodô e Tenda do Caboclo 7 Flechas, dirigida pelo babalorixá e juremeiro Eriberto Carvalho Ribeiro, conhecido como Pai Beto de Xangô.  
Trata-se de um terreiro misto, assim como nossa saudação a Exu, que tem o “Orixá e a Jurema” como se diz na tradição local da capital paraibana, ou seja, cruzam num mesmo espaço religioso o Candomblé e a Jurema.
Se o Candomblé é mais conhecido e muito mais estudado, a Jurema é menos conhecida e também menos pesquisada.
Praticamente ignorada pela maioria dos autores pioneiros do campo de estudos afro-brasileiros como Nina Rodrigues, Artur Ramos, Edson Carneiro, Ruth Landes, Roger Bastide, dentre outros, recebe, ainda hoje, menos atenção do que as modalidades afro-religiosas mais conhecidas, como o Candomblé e a Umbanda.
A Jurema, ou Catimbó, nomenclatura mais antiga, ou ainda Jurema Sagrada ou Jurema Santa e Sagrada, como se diz entre o povo juremeiro atualmente, é uma religião
afro-brasileira, com forte influência indígena, que traz
elementos do catolicismo popular, da umbanda e mais recentemente do Candomblé.
É uma religião muito presente no nordeste de nosso país, particularmente na Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte, embora já seja encontrada em todo o território nacional e para além dele, fazendo-se notar em outros países, como Portugal e Espanha, por exemplo.
Este livro é fruto de um trabalho de campo vivido em intensidade pelo seu autor, durante dois anos e meio, o que possibilitou uma boa intimidade com o espaço, as pessoas e a temática pesquisada.
Os leitores e leitoras encontrarão aqui nas entrelinhas o vigor do autor e seu empenho em buscar compreender os muitos caminhos de Exu Maiorial materializado na imagem que é o objeto deste trabalho.
Encontrarão ainda o melhor que os trabalhos etnográficos podem oferecer, a surpresa, que neste caso foi a aparente perda do objeto, quando a imagem de Exu Maioral resolveu tomar outros rumos, deixando o terreiro pesquisado, trazendo assim a virada de chave e as encruzilhadas da pesquisa, pois Exu não deixaria por menos!

Dilaine Soares Sampaio