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Nota das tradutoras

Yuderkys Espinosa Miñoso figura, ao lado de María Lugones, como uma das pioneiras entre os principais nomes do feminismo decolonial (BUARQUE, 2020), movimento feminista latino-americano que entende que gênero não pode ser analisado sem as questões étnica e racial e desde uma perspectiva da história do capitalismo e da colonização das Américas. Os textos aqui reunidos não versam, entretanto, diretamente sobre questões teóricas do feminismo decolonial. Os ensaios aqui reunidos foram escritos ao longo de quase uma década, de 1997 a 2006. Apesar de só estarmos publicando a tradução desses ensaios agora, passados quase vinte anos, o livro, ao longo desse período, circulou entre as ativistas feministas brasileiras em cópias em espanhol. Eles expressam a adesão de Yuderkys ao feminismo pós-estruturalista de Judith Butler e Luce Irigaray, mas também a sua descoberta dos impasses e incongruências desses feminismos para pensar as questões do feminismo lésbico e negro e, portanto, o seu caminho em direção ao feminismo decolonial, latino-americano e caribenho.
Depois de consultar a autora, decidimos manter o termo “escura” no título, visto que, assim como em português, ao contrário da noção identitária “negra”, “escura” também guarda uma ambiguidade. Tanto aqui como na Dominicana, é comum uma pessoa branca chamar uma pessoa negra de “escura”, achando que, com isso, estaria sendo “menos” racista por “amenizar” a cor da pele da pessoa negra.
Mantivemos, também, o uso de alguns termos pejorativos, como chongo, tortillera, entre outros, que foram utilizados como exemplos por Yuderkys, em espanhol, principalmente porque não há equivalente em português e guardam especificidades da língua espanhola que escolhemos manter para preservar a crítica que é feita pela autora.
Procurou-se, nesta tradução, manter a escolha de certas palavras, expressões pessoais e coloquiais de modo a manter o propósito da autora de uma narrativa que se aproxima da experiência pessoal e se distancia de um academicismo neutro, imparcial e universal.
A autora nos mostra, também, a potência filosófica da literatura de Clarice Lispector, na medida em que faz largo uso de epígrafes retiradas de sua obra, do mesmo modo que traz relatos de vivências compartilhadas por mulheres jovens argentinas valorizando narrativas pessoais como políticas.
Ler os escritos e reflexões de Yuderkys é um convite para revermos nossa história feminista e de luta social, como no capítulo sobre o V Fórum Social Mundial, que teve algumas de suas edições em Porto Alegre, no qual ela já aponta o afastamento das demandas coletivas localizadas na América Latina para “demandas” ou agendas globais, cuja sede é mais propriamente os Estados Unidos da América do Norte. Este cenário pode ser tranquilamente percebido por quem participou das primeiras versões do Fórum e viu seu aumento de tamanho ser proporcional ao esvaziamento de troca e debate, como aponta a autora.
Traduzir é também (re)contar e (re)tomar a história das mulheres lésbicas a partir do olhar de Yuderkys, uma mulher latina negra, e guarda o objetivo e o afeto que procura manter vivo o ato de rebeldia da autora, que nos ensina com sua crítica e, principalmente, sua escrita como deixarmos o “papel de reprodutoras que nos foi designado e que temos ocupado docilmente e voltarmos a produtoras de cultura.” A história e condição da mulher lésbica é a história de todas nós mulheres, que vivemos a opressão e exclusão de diferentes modos, mas que, ao invés de perpetuá-los, escolhemos construir um affidamento, uma prática de amor, cuidado e confiança entre mulheres, o continuum lésbico, de Adrianne Rich, que Yuderkys nos conta.
Os ensaios mostram a enorme potência do feminismo lésbico radical. Autoras como a italiana Carla Lonzi e as americanas Judith Butler e Adrianne Rich têm seu trabalho aqui discutidos. Mostram que a aliança entre mulheres se evidencia não apenas com debates teóricos, ao contrário, se constitui como affidamento construído ao longo de décadas e que podem ser reconhecidos nos ativismos e resistências de narrativas como as que Yuderkys nos apresenta nesse ensaio e que ficamos felizes de poder compartilhar em língua portuguesa.
Agradecemos imensamente à Yuderkys Espinosa Miñoso pela confiança e pela aliança que tem sido construída ao longo desses anos conosco, feministas brasileiras, inquietas com as questões decoloniais que atravessam e demarcam os corpos, narrativas e trajetórias de vida de nós mulheres latino-americanas desde sempre.

Caroline Marim e Susana de Castro

 

Editora: Ape'Ku Editora
ISBN: 978-65-80154-43-2
Ano de edição: 2022
Distribuidora: Ape'Ku Editora
Número de páginas: 160
Formato do livro: 16 x 23 cm
Número da edição: 1